Nesta quarta-feira (12), a delegação brasileira em Genebra, na Suíça, participou do evento da CONSIF/ FEBRABAN que ocorreu de forma paralela à 112ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT.

Durante este evento foram debatidos, de maneira inédita, os desafios da Inteligência Artificial e o Futuro do Trabalho, na Comissão de Princípios Fundamentais de Direito do Trabalho.

O seminário contou com a participação do presidente da CONTEC e secretário de Relações Internacionais da UGT, Lourenço Prado.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, falou sobre a necessidade de aprimorar a relação entre trabalhadores e ferramentas tecnológicas.

Marinho disse ainda que a redução de empregos não é discutível e defendeu importância da negociação coletiva como principal maneira de garantir capacitação, avanços e garantias aos trabalhadores.

Durante sua fala, o presidente Lourenço Prado destacou que o tema da Inteligência Artificial deve ser discutido por toda sociedade, que é inerente aos avanços tecnológicos.

Prado reforça a importância de governos e o empregadores se capacitarem e se adaptarem aos ambientes, principalmente profissionais, que acabam comprometidos sem a adequação tecnológica.

“Uma boa negociação é feita de maneira tripartite, colocando todo mundo para conversar. As novas ferramentas são recebidas com muita cautela pelas categorias, porque os trabalhadores sabem que poderão ser trocados à qualquer momento. Por isso, é importante que todos estejam alinhados ao assunto. Para evitar derrotas significativas.” completou.

A mesa de discussões tratou ainda da importância de uma educação de base forte e preocupada com as mudanças no mercado de trabalho.

Os índices de desemprego e os novos modelos trabalhistas também foram debatidos. Apesar disso, as lideranças convergem de que o avanço tecnológico é constante e sem retorno.

Por isso, a necessidade de debater transições éticas. Sobre isso o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Lélio Bentes disse que é preciso ter equilíbrio:

“é importante saber quem que manuseia os algoritmos. A IA não vai substituir a inteligência orgânica”, afirmou.

Ainda durante o seminário, os representantes trataram de maneiras eficientes de adequar a digitalização do sistema financeiro, com o reforço e reconhecimento do trabalho humano, através do diálogo entre governos, empresas e trabalhadores.

Enquanto os palestrantes destacaram os benefícios da automação e da IA, como o aumento da eficiência e a possibilidade de criação de novos tipos de emprego, resta evidente o dilema do aprofundamento sobre os desafios éticos e sociais que a tecnologia representa.
Fonte: Radio Peão Brasil